Profissional que reduz o ritmo após alcançar certo patamar financeiro está errado. Será?
Já que na categoria “Gestão” (que também inclui estratégia, liderança, carreira e afins) eu muitas vezes vou defender as boas práticas sobre o assunto, achei justo fazer em meu primeiro post um meio-contraponto a um artigo HSM enviado no boletim Management News desta semana. Trata-se do artigo A grave doença de sentir-se garantido, onde um especialista em vendas é criticado quando sua ambição de crescimento é reduzida assim que o “patamar de vendas que ele atingira dava o ganho que almejava para manter-se” de forma satisfatória.
Ora, se não tomar-se o devido cuidado na leitura do artigo, o leitor pode pensar que o único objetivo digno a ser almejado por qualquer profissional é chegar a CEO um dia, o que não é verdade. Claro que a vida profissional de qualquer ser humano é uma constante briga contra a zona de conforto, mas daí a se afirmar que um profissional que tira o pé do acelerador ao atingir certo patamar está errado, a distância é grande. As pessoas podem continuar com suas metas e ambições e ainda assim se permitir um período de inversão de prioridades, onde ele equilibraria um pouco as pendências de tempo com a família e amigos, enfim, com sua vida pessoal — que na verdade, é o que realmente deveria importar.
Claro que o artigo faz algum sentido e que devemos constantemente manter nossas iniciativas alinhadas às nossas metas e ambições, mas ficar algum tempo em velocidade de cruzeiro para recarregar as baterias também pode ser útil, e por vezes necessário. O problema, neste caso, é que as empresas não exatamente podem se dar ao luxo de aceitar este retrocesso, pois isto impacta diretamente nos lucros do período. Neste caso, é necessário que seus superiores, de preferência devidamente treinados para tal, façam feedbacks com o profissional em questão, deixando claro que seu comportamento não está alinhado ao que a empresa espera dele (pois ele próprio pode não ter percebido o impacto, uma vez que pode ainda estar hipnotizado pelos recentes resultados positivos) e que ele precisa retornar ao que ele já demonstrou ser capaz de fazer.
E apenas para finalizar, seguem três colocações sobre o tema do artigo:
1 - Sempre diga não à zona de conforto, mesmo quando a tentação for grande;
2 - Não interessa o que digam sobre suas possibilidades profissionais, nunca negligencie sua vida pessoal; e
3 - Se julgar que seu mundo de hoje está incompatível com o que você gostaria de estar fazendo daqui a três ou cinco anos, porque não tenta se planejar para fazer um sabático? Tirar alguns meses para repensar sua situação profissional (e também a espiritual, por que não?) pode ser a virada de bandeira que sua vida estava esperando.
Abs, Miro.
2 comentários 8 de Janeiro de 2009 às 08:01 Miro Leite