Publicações arquivadas sob Família
Ma, minha sogra — que detesta ser chamada de sogra; portanto, daqui pra frente, apenas Ma (de Marlene) –, tem um sério problema de auto-estima quanto aos seus dotes culinários. Culpa do excesso de preciosismo e de uma quase total ausência de paladar do Fernandão, meu sogrão. Claro que não é tudo isso, mas ele decididamente merece esse puxão de orelha.
Manias familiares à parte, ela é uma cozinheira de mão cheia! Para vocês terem uma idéia, naquelas rodas de amigos que sempre detonam as sogras, eu costumo sorrir, olhar para o infinito e me referir a ela com uma frase direta: “Ela me alimenta!”. Quem me conhece sabe o quanto eu gosto de gastronomia e consegue perceber o “valor” embutido nesta frase.
Uma boa dúzia de suas receitas são comumente citadas pela minha Carlinha como uma “memória de infância”. Uma delas é a Moela de Panela de Pressão, que peguei por telefone, tal a simplicidade, e que tem aquele sabor de comidinha de casa, mas com um toque especial que é o pulo do gato, que ela sabe dar como ninguém. Por exemplo, não é tão comum uma receita de panela conter uma colher de sopa de orégano, por exemplo. Esta é a genialidade que somente alguém com experiência e um paladar apurado consegue ter.
Pois bem, vamos à receita…
Moela na Panela de Pressão
Por Marlene Recupero Alves
Serve 4 pessoas
Ingredientes:
- 1 Kg de moela de frango;
- 1 cebola média;
- 5 colheres de sopa de molho de tomate (qualquer um; pode ser temperado mesmo);
- 1 colher de sopa rasa de orégano desidratado;
- 1 caldo de galinha (desculpem por citar marca, mas fica mais no ponto de sal com Caldo Maggi);
- Pimenta-do-reino, à gosto (eu uso cerca de meia colher de café);
- Sal para acertar o ponto no final, se precisar;
- 80 a 100ml de azeite de oliva simples, para o refogado (aprox. meia xícara).
Dica: evite usar azeite extra-virgem em culinária de forno e fogão, porque é desperdício; utilize-o apenas para finalizar pratos, pois conserva-se melhor suas propriedades e benefícios.
Preparo:
- Se a moela não tiver sido limpa, remova com as mãos as películas fibrosas e amareladas (ou em tons de marrom) que ficam na parte de trás de cada uma. Se não houver nada com essas características, é porque já vieram limpas. Acredite: você reconhecerá esta película com facilidade, se ela estiver lá.
Eu também costumo “raspar” o excesso de gordura com uma faquinha afiada, mas você pode deixar, caso queira.
- Pique a cebola em pedaços não tão pequenos e refogue-a, em fogo médio, com todo o azeite direto na panela de pressão, até que esteja meio transparente e levemente dourada. Atenção para não deixá-la queimar.
- Adicione as moelas e refogue-as com a cebola, mexendo eventualmente, até que fiquem levemente marrons.
- Acrescente os outro ingredientes (molho de tomate, pimenta-do-reino, caldo de galinha e orégano).
- Adicione água filtrada até a metade da altura das moelas na panela e tampe-a.
- Ainda em fogo médio, aguarde o início da pressão e marque 25 minutos de cozimento.
- Desligue o fogo e libere adequadamente a válvula de pressão, até que todo o vapor saia (desculpem pela dica meio básica, mas com segurança não se brinca; e muitos leitores deste blog, boa parte amigos meus, são iniciantes na cozinha). Somente ao final da liberação de vapor, retire a tampa da panela.
- Sem a tampa, volte a ligar em fogo médio e deixe alguns minutos, mexendo com frequencia, para reduzir os líquidos a um caldo grosso.
- Nesse meio tempo, prove uma moela e verifique se precisa de uma pitada de sal.
Basta servir com arroz branco e, se quiser, uma salada verde.
Dica final: se quiser incrementar o prato, acrescente lá no início, antes de fechar a panela, duas batatas descascadas e cortadas em pedaços médios , mas neste caso, vale adicionar uma pitada de sal para complementar o caldo de galinha.
É isso. Se tiverem dúvidas, basta comentar este post, no formulário aí abaixo.
Abraços a todos!
Miro.
16 de Fevereiro de 2010 às 01:16
Miro Leite
Pessoal,
Quando ficamos grávidos do Vitor, na virada de 2006 para 2007, eu tentei fazer uma espécie de log semanal, que foi virando mensal, que depois ficou totalmente esporádico. Mesmo assim, saiu um pequeno registro daquela época, que eu gostaria de compartilhar com vocês.
Não estranhem a forma de escrita, pois não foi criado com a intenção de se mostrar para alguém.
Beijos a todos,
Miro.
02/jan/2007
14h10
Primeiro dia de trabalho após 20 dias de férias. O relógio do Windows XP, na minha estação de trabalho no CTO do Itaú, marcava exatamente 14h10 quando o telefone tocou. Era a Carlinha. Ela havia acabado de refazer o teste caseiro de gravidez e desta vez deu positivo! Fiquei meio bobão por algumas horas. Depois pensei quando deve ter sido o dia mais provável do “Rock’n'Roll” que deu certo. Acho que foi entre os dias 15 e 18/dez/2006, pouco antes da minha viagem para Belém, no Natal, e que me deixou uma semana longe da Carlinha.
15h00 (mais ou menos)
Chamei o Beto e o Ernesto para tomar um café. Enquanto conversávamos na salinha de café, meus pensamentos se misturavam e eu comecei a lembrar de algumas coisas que eu tinha planejado para este momento e que agora eu estava dicidido a retomar. Vou voltar a estudar violão. Antes do nascimento eu vou saber tocar algumas músicas de ninar. Também vou estudar Metodologia Científica e me empenhar mais no meu projeto PInt. Isto pode ser a garantia de ter mais tempo para acompanhar o crescimento do(a) pimpolha(a), já que pode me oferecer um formato de trabalho mais flexível (aulas, palestras e consultorias).
04/jan/2007
17h30
Encontrei com a Carlinha no consultório do Dr. Jorge Antonio Salomão (Dr. Salomão) onde pegamos a requisição para fazer um exame de gravidez.
18h30
Aproveitamos que nosso caminho de volta pra casa era pela Av. Brasil e já paramos no laboratório Delboni Auriemo para fazer o exame, que não demandava jejum e podia ser feito até às 19hs.
20h00
Com a casa ainda cheia de caixas da mudança, sentamos na mesa da sala com um livro de nomes de bebês, que peguei na biblioteca do Itaú, e começamos a pensar em qual usaríamos, nos dois casos. A lista ficou pequena, pois o livro era bem fraco: Luiza ou Luana para menina e André para menino. Ficamos de comprar um livro melhor e recomeçar depois.
05/jan/2007
9h30
Peguei pela internet o resultado do exame de “Dosagem de Beta HCG” da Carlinha, que deu resultado 1.557,0 mUI/mL, que significa estar de 2 a 3 semanas de gravidez (100 a 5.000 mUI/mL). ESTAMOS GRÁVIDOS!!!!!!
10h00
A Carlinha recebeu o eMail que mandei pra ela às 9h30 (pois ela não estava na mesa para atender ao telefone) e ela me ligou de volta às 10hs. Comemoramos e ela ficou de ligar para os pais. Para a minha família eu pretendia avisar por WebCam mais tarde.
10h30
Eu havia trazido cerca de 70 bombons de cupuaçu de Belém, especialmente para este dia. E é claro que eu trouxe para o Banco (se o resultado fosse negativo, eu levava de volta pra casa). Deixei na minha mesa e avisei as secretárias, que providenciaram enfeites com balões coloridos e imagens de bebês capturadas na Internet. Um amigo (o PP) tirou uma foto minha com um capacete da CIPA enfiado embaixo da camisa. Imprimimos esta imagem do Miro Grávido e também penduramos nos enfeites. Muitas pessoas da superintendência vieram me cumprimentar e levaram um bombom de cupuaçu. Ao final, sobraram apenas quatro.
06/jan/2007
7h00
Fomos novamente ao laboratório, desta vez para a Carlinha fazer um ultra-som.
11h00
Passamos no laboratório para pegar o resultado e já fomos direto ao Dr. Salomão. Ele não foi muito otimista, dizendo que, pelo ultra-som, não havia se desenvolvido um tal de “saco embrionário” ou algo assim. Seria necessário esperar 15 dias para renovar todos os exames e confirmar se um embrião realmente surgiria. Nós ficamos apreensivos e a Carlinha ficou bem desanimada.
08/jan/2007
14h05
Comprei hoje pelo site da Fnac dois livros para ajudar na gravidez: “Grávida e Bela” (R$44,10 - Editora Senac) e “Bebê a Bordo” (R$16,10 - Matrix Editora).
(Não lembro o dia; vou tentar buscar a data do DVD que nos foi entregue)
19h00 No Delboni nós ouvimos pela primeira vez o coraçãozinho do Baby. Acho que nunca vou esquecer aquele som. Ele (o bebê, não o coração) tem quatro milímetros agora e aparenta estar tudo bem.
Beeeeemmmm atrasado, lanço um novo registro:
23/out/2007
11h09
O Vitor já está com quase dois meses de vida (completará em 28 de outubro) e está muito fofo, com bochechas fofinhas e está aprendendo a dar risadinhas, embora não saiba muito bem para que serve isso. Ele ri quando se sente muito bem. Estou apaixonado por esse moleque.
07/jul/2008
O Vitor agora tem pouco mais de dez meses e está um barato! Já dá gargalhadas de rolar no chão, está engatinhando pra caramba, já fica em pé apoiando no berço e ensaia algumas palavras em lingua de bebê, como “gá-gá”, “dé-dé”, “lá-lá” e outras assim. Também já reage a um duelo de gemidos, onde eu ou a Carlinha damos um gemido qualquer e ele responde parecido, ficando cada um gemendo por sua vez. É bem legal!
25 de Agosto de 2009 às 01:38
Miro Leite
Essa é da época do guaraná com rolha. Minha mãe, uma jovem senhora de 80 anos, sempre comenta que em sua juventude, lá pelos anos 40, lia a revista O Cruzeiro, que seria equivalente às semanais de hoje, sobre variedades. No entanto, a abordagem era muito diferente e eu fiquei curioso em folhear alguma edição para captar essa percepção do mundo da época, como em uma máquina do tempo.

Pois bem, fui aos sebos que conheço (sou mais ou menos rato de sebos) e me recomendaram uma loja específica de revistas antigas, escondida em uma galeria no térreo de um prédio semi-fechado, passando por reformas, bem na frente do Bar Brahma, no centrão de São Paulo. Lá, encontrei uma edição da década de 1950, se não me engano, que falava sobre parentes de Lampião que reivindicavam que sua cabeça recebesse o enterro apropriado, ou algo assim.
É claro que saí do sebo fascinado e resolvi buscar na internet mais material sobre a revista. E não é que uma parte do acervo foi resgatada e digitalizada? Achei o projeto Memória Viva, que também resgata o material de outras publicações antigas. Eles criaram um site para divulgação do conteúdo já digitalizado da revista O Cruzeiro.
Não deixe de conferir também várias charges do personagem Amigo da Onça (ao lado).
Simplesmente, imperdível.
21 de Janeiro de 2009 às 21:47
Miro Leite
Essa é para todos os pais com filhos pequenos.
Acabei de descobrir o site Colorir e Pintar, um blog que reúne vários recursos para divertir a garotada.
Lá você encontra centenas (talvez milhares?) de imagens em preto e branco, prontinhas para colorir no computador ou no papel, de hits como Bob Esponja, Pica-Pau, Backyardigans, desenhos da Disney e diversos animes e mangás. Além disso, ele também contém uma lista bem considerável de vídeos publicados no Youtube, com episódios inteiros de vários desenhos. Veja este vídeo do episódio A vassoura da Bruxa, do Pica-Pau.
Simplesmente imperdível. Mantenham este link em seus Favoritos.
11 de Janeiro de 2009 às 14:31
Miro Leite
ATENÇÃO!
Este artigo é um complemento do post O mistério de “La Bamba”.
Não leia este artigo primeiro. Clique no link acima para abrir o post original antes!
—
No post O mistério de “La Bamba”, um jovem representante comercial de um laboratório farmacêutico conseguia tocar música sob demanda, dentro de seu jipe de trabalho, na década de 40. Como as fitas K7 não existiam ainda, fiquei intrigado com o assunto.
Minha mãe esclareceu a solução tecnológica usada por ele na época: o jipe também era usado para fazer a divulgação sonora dos medicamentos, portanto, possuia um toca-discos elétrico adaptado na parte traseira, que executava discos de 78 rotações por minuto. É claro que este sistema só funcionava quando o jipe estava parado, mas de certa forma, isto ajudou na situação do blog anterior.
Agora, volte ao post O mistério de “La Bamba” e boa leitura!
30 de Dezembro de 2008 às 09:31
Miro Leite
Há dois anos, minha mãe, então com 78 primaveras, veio passar uma semana em São Paulo. Saímos para jantar e, pela proximidade, fomos à pé ao restaurante mexicano El Mariachi na rua dos Pinheiros.
Após pedirmos nossos pratos, começamos a apreciar o show típico, com músicas tradicionais do México executadas por um trio nativo. Coisa de primeira linha. A certa altura, minha mãe me pergunta se poderíamos pedir uma música a eles, insistindo que ela precisava ouvir La Bamba. Enquanto eu bolava uma estratégia (pedir ao garçon, ir lá diretamente, mandar uma nota), ela continuava a insistir, sem parar, que eu fosse lá pedir a tal música. Decidi escrever um bilhete em um guardanapo de papel, em espanhol (com o perdão dos mais tarimbados na língua), com texto mais ou menos assim:
Por favor, gustaria a mi madre (78 años) oír La Bamba. ¿Podrian ustedes ejecutarlo para ella?
É claro que o trio tocou com gosto, fazendo uma dedicatória a ela em espanhol. Ela ouvia quase em êxtase, balançando a cabeça para os lados, como uma criança.
Na época eu não fiquei curioso, mas este episódio foi me deixando intrigado com o passar do tempo, até este fim de ano 2008, quando ela voltou a passar uma semana comigo. Levei-a, apenas por coincidência, a um outro mexicano, desta vez mais na linha Tex-Mex. Chama-se Sí Señor! e, embora ele também tenha uma unidade em Pinheiros, fomos conhecer a da praça Vilaboim. O tema nos fez lembrar do trio de dois anos antes e o assunto voltou à tona. Perguntei a ela o porquê de tanta empolgação sobre a música La Bamba e ela, desta vez, contou mais detalhes.
Nascida em Itajuípe, no já delicioso estado da Bahia, minha mãe, então com dezoito anos, costumava passar férias na casa de uma prima em Itabuna, cidade vizinha. O ano era o de 1946. Em frente à casa ficava um pequeno hotel, utilizado com frequência por um jovem de vinte anos, representante comercial do laboratório farmacêutico Sydney Ross, produtor do Melhoral. Ele costumava chegar ao final da tarde com seu jipe de trabalho, parava na frente do hotel e tocava por alguns minutos a música La Bamba (veja como ele conseguia fazer isso sob demanda na década de 40, pois as fitas K7 não existiam ainda). Minha mãe, atraída pela melodia, fez amizade com o moço. Ela contou que a família possuia uma vitrola em casa e ele, prontamente, comprou um vinil com a música para dar de presente a ela.
A amizade virou namorico, que virou namoro, que virou noivado, que virou casamento, que a levou a Belém e que levou à criação da minha família.
Sem saber dessa história em tempo hábil, fiquei devendo os parabéns ao meu falecido pai, pelo bom gosto musical e pela sorte grande que ele tirou.
Onde o senhor estiver, parabéns e obrigado!
29 de Dezembro de 2008 às 11:03
Miro Leite
Neste Natal de 2008, com o meu filhote Vitor já andando e tentando falar, teremos um Natal muito divertido. Sem contar os comes e bebes: nozes, macadâmias, os damascos, tâmaras e figos secos, bacalhau em postas e em bolinhos, muito vinho verde para acompanhar. Isso que é vida.
A festa é na casa dos pais da Carlinha, como no ano passado, mas desta vez, em tempos de Lei Seca, vamos dormir por lá (ótima idéia, já que sou em quem dirige).
Bom Natal a todos!
23 de Dezembro de 2008 às 19:06
Miro Leite