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Este artigo é um complemento do post O mistério de “La Bamba”.
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No post O mistério de “La Bamba”, um jovem representante comercial de um laboratório farmacêutico conseguia tocar música sob demanda, dentro de seu jipe de trabalho, na década de 40. Como as fitas K7 não existiam ainda, fiquei intrigado com o assunto.
Minha mãe esclareceu a solução tecnológica usada por ele na época: o jipe também era usado para fazer a divulgação sonora dos medicamentos, portanto, possuia um toca-discos elétrico adaptado na parte traseira, que executava discos de 78 rotações por minuto. É claro que este sistema só funcionava quando o jipe estava parado, mas de certa forma, isto ajudou na situação do blog anterior.
Agora, volte ao post O mistério de “La Bamba” e boa leitura!
30 de Dezembro de 2008 às 09:31
Miro Leite
Há dois anos, minha mãe, então com 78 primaveras, veio passar uma semana em São Paulo. Saímos para jantar e, pela proximidade, fomos à pé ao restaurante mexicano El Mariachi na rua dos Pinheiros.
Após pedirmos nossos pratos, começamos a apreciar o show típico, com músicas tradicionais do México executadas por um trio nativo. Coisa de primeira linha. A certa altura, minha mãe me pergunta se poderíamos pedir uma música a eles, insistindo que ela precisava ouvir La Bamba. Enquanto eu bolava uma estratégia (pedir ao garçon, ir lá diretamente, mandar uma nota), ela continuava a insistir, sem parar, que eu fosse lá pedir a tal música. Decidi escrever um bilhete em um guardanapo de papel, em espanhol (com o perdão dos mais tarimbados na língua), com texto mais ou menos assim:
Por favor, gustaria a mi madre (78 años) oír La Bamba. ¿Podrian ustedes ejecutarlo para ella?
É claro que o trio tocou com gosto, fazendo uma dedicatória a ela em espanhol. Ela ouvia quase em êxtase, balançando a cabeça para os lados, como uma criança.
Na época eu não fiquei curioso, mas este episódio foi me deixando intrigado com o passar do tempo, até este fim de ano 2008, quando ela voltou a passar uma semana comigo. Levei-a, apenas por coincidência, a um outro mexicano, desta vez mais na linha Tex-Mex. Chama-se Sí Señor! e, embora ele também tenha uma unidade em Pinheiros, fomos conhecer a da praça Vilaboim. O tema nos fez lembrar do trio de dois anos antes e o assunto voltou à tona. Perguntei a ela o porquê de tanta empolgação sobre a música La Bamba e ela, desta vez, contou mais detalhes.
Nascida em Itajuípe, no já delicioso estado da Bahia, minha mãe, então com dezoito anos, costumava passar férias na casa de uma prima em Itabuna, cidade vizinha. O ano era o de 1946. Em frente à casa ficava um pequeno hotel, utilizado com frequência por um jovem de vinte anos, representante comercial do laboratório farmacêutico Sydney Ross, produtor do Melhoral. Ele costumava chegar ao final da tarde com seu jipe de trabalho, parava na frente do hotel e tocava por alguns minutos a música La Bamba (veja como ele conseguia fazer isso sob demanda na década de 40, pois as fitas K7 não existiam ainda). Minha mãe, atraída pela melodia, fez amizade com o moço. Ela contou que a família possuia uma vitrola em casa e ele, prontamente, comprou um vinil com a música para dar de presente a ela.
A amizade virou namorico, que virou namoro, que virou noivado, que virou casamento, que a levou a Belém e que levou à criação da minha família.
Sem saber dessa história em tempo hábil, fiquei devendo os parabéns ao meu falecido pai, pelo bom gosto musical e pela sorte grande que ele tirou.
Onde o senhor estiver, parabéns e obrigado!
29 de Dezembro de 2008 às 11:03
Miro Leite
Em Belém, a deliciosa cidade onde nasci, temos um prato muito tradicional, onde um super caldo de peixe exibe cebolas, batatas, tomates e ovos cozidos, todos inteiros, flutuando ao lado de postas generosas de pescada branca ou amarela. Este prato chama-se simplesmente Caldeirada de Peixe. Com base neste prato, adaptei uma receita de bacalhau que encontrei no clássico livro Dona Benta, criando um híbrido que saiu melhor que a encomenda. Segue a receita.
Abraços a todos, Miro.
Receita adaptada em dez/2007 do Bacalhau à Espanhola, livro Dona Benta, 76ª edição.
Rendimento: três pessoas muito bem servidas!
Acompanhamento: arroz branco simples.
Ingredientes
- 500g (a 600g) de bacalhau em lascas, sem pele ou espinhas;
- 1 xícara de chá de bom azeite virgem;
- 250ml de água filtrada;
- 2 tomates não totalmente maduros;
- 2 cebolas médias;
- 1 pimentão vermelho grande e 1 verde pequeno;
- 3 batatas médias ou 2 grandes;
- Sal, apenas para corrigir o sabor do caldo, se o bacalhau desalgar muito;
- Pimenta do reino para temperar e um toque de Tabasco Original para perfumar.
Obs.: em culinária de forno e fogão, o extra virgem é desperdício. Use um azeite virgem simples, não composto, de boa qualidade. Utilize o extra virgem apenas para finalizar pratos.
Preparo
- Em um pote com tampa, deixe o bacalhau de molho em água filtrada, de um dia para o outro, na gaveta de baixo da geladeira, se possível trocando a água na metade do tempo. Não deixe ultrapassar 24hs. Se precisar passar disso, escorra o bacalhau, devolvendo-o ao pote e à geladeira, por até mais um dia.
- Afervente o bacalhau por 1 ou 2 minutos, escorra e reserve.
- Descasque as batatas e rodele-as, deixando-as de molho para não escurecerem.
- Corte os tomates e as cebolas em rodelas e pique os pimentões em lascas irregulares.
- Em uma panela funda, começando pela cebola, distribua camadas de todos os legumes e do bacalhau.
- Regue com todo o azeite, polvilhe um pouco de pimenta-do-reino por cima e ligue em fogo baixo.
- É um pouco difícil de mexer, mas comece pelas bordas da panela a “rodar” os ingredientes. Aos poucos será possível “empurrar” alguns dos ingredientes para baixo.
- Depois de uns 5 minutos desse refogado, sempre tentando mexer, adicione a água.
- Mantenha o fogo baixo e a panela semi-tampada.
- Quando a batata começar a ficar levemente cozida, prove o caldo e acerte o sal se precisar. Após isso, adicione um toque de Tabasco, apenas para perfumar.
- Retire do fogo quando as rodelas de batata estiverem bem cozidas.
Dica: Este prato harmoniza com todos os vinhos verdes e brancos secos.
Bom apetite!
23 de Dezembro de 2008 às 19:22
Miro Leite
Neste Natal de 2008, com o meu filhote Vitor já andando e tentando falar, teremos um Natal muito divertido. Sem contar os comes e bebes: nozes, macadâmias, os damascos, tâmaras e figos secos, bacalhau em postas e em bolinhos, muito vinho verde para acompanhar. Isso que é vida.
A festa é na casa dos pais da Carlinha, como no ano passado, mas desta vez, em tempos de Lei Seca, vamos dormir por lá (ótima idéia, já que sou em quem dirige).
Bom Natal a todos!
às 19:06
Miro Leite
Este é o primeiro de muitos artigos no meu Blog.
Seja bem-vindo!
Conheça a estrutura do Blog do Miro e aguarde as novidades.
Conheça também o meu site: miro.com.br.
Grande abraço, Miro.
às 11:42
Miro Leite
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